O controle de alvenaria de vedação em blocos de gesso | Analytica 92

Por Mauricio Ferraz de Paiva


A utilização de alvenaria em blocos de gesso em substituição ás tradicionais alvenarias em blocos cerâmicos ou de concreto se constitui em uma alternativa viável na vedação vertical de edifícios. Do ponto de vista do comportamento estrutural, as vedações em alvenaria em blocos de gesso mostram resistência e rigidez superior que as construídas com blocos cerâmicos argamassados, correspondendo a um melhor comportamento no travamento as movimentações horizontais da estrutura. Contudo, sua execução requer um controle de acordo com a norma técnica.


A alvenaria de vedação com blocos de gesso, por serem mais leves, sobrecarregam menos a estrutura conduzindo a uma economia em torno de 30% no concreto da fundação e 15% das armaduras da superestrutura. Do ponto de vista da sustentabilidade a adoção de alvenarias de blocos de gesso conduzem a uma redução em torno de 16% na energia interna incorporada dos materiais utilizados na estrutura, 63% da energia elétrica utilizada na mistura e transporte interno dos materiais e mais de 53% na água utilizada na construção dessas divisórias em relação as construídas com blocos cerâmicos argamassados.

Os especialistas apontam que a vedação com blocos de gesso tornou-se uma alternativa na construção das vedações verticais, principalmente pelas vantagens apregoadas pelos fabricantes, como um menor tempo de execução, maior área útil, possibilidade de instalação sobre o piso definitivo, flexibilidade de layout, paredes mais leves, menor sobrecarga na estrutura, precisão dimensional e melhor conforto termoacústico.

Além disso, em virtude do tamanho do bloco, da facilidade de montagem, aliado a precisão dimensional e de encaixe, a produtividade média para elevação das paredes é de 25m² homem/dia.

A cola de gesso utilizada na união entre blocos possui boa trabalhabilidade durante a execução, após seca possui uma excelente resistência mecânica e aderência, possibilitando uma união perfeita entre blocos e entre o bloco e demais materiais.

Os blocos de gesso apresentam elevado índice de redução sonora para principais frequências de percepção humana, com um bloco de 100 mm de espessura por exemplo é possível obter redução de até 38 decibéis para frequências entre 500 a 800 Hz.

A NBR 16657 de 10/2017 – Bloco de gesso — Alvenaria de vedação — Execução, inspeção e controle estabelece os requisitos para a execução, inspeção e controle de alvenaria de vedação em blocos de gesso. Os pilares e as vigas que farão encontro com as alvenarias de bloco de gesso devem estar livres de desmoldantes e/ou materiais que comprometam a aderência do gesso-cola. Se forem chapiscados, o chapisco deve ser executado com intervalo mínimo de 72 h antes da elevação da alvenaria.

Os eixos principais devem ser estabelecidos conforme o projeto de estruturas, e locados ou transferidos para o pavimento de trabalho, assim como os vãos de esquadrias e grades de portas. Os componentes e materiais utilizados nas alvenarias devem atender aos requisitos contidos nas NBR 16494 e NBR 16575. Antes do assentamento do bloco, deve-se fazer a limpeza nas faces que receberão o gesso-cola.

A posição da alvenaria dos blocos deve atender, preferencialmente, ao projeto executivo das vedações ou, na ausência deste, ao projeto arquitetônico, de instalações e estrutural. Executar as marcações segundo o projeto executivo das vedações ou, na ausência deste, conforme o projeto arquitetônico, de instalações e estrutural. Preparar o gesso-cola seguindo as recomendações do fabricante.

Para o bloco hidrofugado, utilizar o gesso-cola hidrofugado. Na interface do bloco hidrofugado com o bloco standard, deve ser utilizado o gesso-cola. Para o bloco standard, utilizar o gesso-cola. Os blocos de alvenaria interna devem ser hidrofugados, quando houver incidência de água.

Os blocos de alvenaria externa devem ser hidrofugados e assentados com gesso-cola hidrofugado. Utilizar o gesso-cola para assentar o bloco sobre o piso ou contrapiso, assim como na parte vertical a parede ou pilar. Continuar a montagem da primeira fiada sempre aplicando o gesso-cola na parte a ser colada no piso e no bloco de gesso fixado. Se no projeto for recomendada a utilização de fixações ou de banda resiliente, atender às recomendações do projeto.

Aplicar o gesso-cola nas juntas verticais e horizontais, na interface entre o bloco e o pilar ou alvenaria de periferia, utilizando o martelo de borracha para posicionar o bloco de forma correta, sempre verificando o nivelamento e o prumo, de forma a deixar o gesso-cola escorrer pelas juntas entre os blocos e entre os blocos e o piso, retirando-se o excesso. Recomenda-se que as juntas de assentamento tenham uma espessura entre 1 mm e 4 mm e sejam contínuas.

A segunda fiada deve ser desencontrada da primeira para garantir a amarração. O desencontro das juntas verticais dos blocos deve ser de no mínimo 20 cm, salvo indicações em projeto. A união rija entre os componentes de alvenaria de blocos de gesso e os elementos de alvenaria de outros materiais e estrutura deve ser feita de forma contínua, utilizando-se gesso-cola e a tela flexível para arrematar, ultrapassando 5 cm, no mínimo, para cada lado do encontro. As juntas de ligação na elevação da alvenaria devem seguir as indicações apresentadas na figura abaixo.

2

Na execução das edificações, as alvenarias de blocos de gesso também devem ser ligadas a outras vedações ou elementos da construção, como, por exemplo, lajes, vigas e pilares. Esses encontros requerem uma técnica adequada, indicada no projeto para a sua execução. Na união entre componentes de alvenaria e elementos de esquadria, devem ser utilizados componentes adicionais que garantam a fixação e a estanqueidade, conforme indicação do projeto.

No encontro vertical entre materiais de diferentes módulos de dilatação (alvenaria de gesso versus estrutura de concreto e/ou alvenaria de bloco de outros materiais), é necessário utilizar tela flexível após a execução. A tela deve ser aplicada com gesso-cola em no mínimo 5 cm para cada lado e em todo o comprimento de interseção dos materiais.

As vedações sobre os espaços destinados a vãos livres, portas e janelas podem ser executadas com dois blocos de gesso, desde que o espaço tenha comprimento inferior a 90 cm, os blocos de gesso estejam apoiados em no mínimo 20 cm para os lados e a altura dos blocos de gesso sobre o vão da porta ou abaixo do vão das janelas tenha no mínimo 20 cm. Se um destes itens não for atendido, utilizar vergas.

Quando os espaços destinados a vãos livres, portas e janelas for maior do que 90 cm devem ser seguidas aas orientações do projeto. Utilizando-se os blocos de gesso como fechamento sobre os espaços destinados a vãos livres e portas, nas vedações de alvenaria interna, recomenda-se utilizar tela flexível no arremate.

As vergas e contravergas devem ser centradas no eixo de vedação, com altura mínima de 10 % do vão e transpasse de 20 % do vão ou conforme indicação do projeto. A tela flexível deve ser aplicada em toda a extensão das vergas e contravergas e ultrapassar no mínimo 5 cm para todos os lados do encontro com a alvenaria. As grades de porta podem ser fixadas com poliuretano expansível.

Para melhor desempenho acústico e da fixação recomenda-se que a aplicação do poliuretano seja contínua e ao longo de todo o perímetro. No local de aplicação do poliuretano para fixação da grade de porta, preencher as cavidades dos blocos com gesso cola criando rugosidade para uma melhor fixação. As instalações das tubulações e caixas elétricas devem ser executadas após 24 h do encunhamento das alvenarias de bloco de gesso.

Os cortes podem ser executados com máquinas especiais para entalhar, permitindo regular de maneira exata a profundidade do rasgo. Quando forem utilizados blocos vazados, os eletrodutos devem ser inseridos nos furos dos blocos. Estas vedações devem possuir um projeto específico que permita a colocação de blocos na posição horizontal, vertical ou mista (contemplando ambas as posições), visando diminuir a necessidade de corte das vedações.

No caso do bloco compacto, o diâmetro máximo da tubulação a ser inserida deve ser inferior à metade da espessura do bloco. O recobrimento acima da tubulação deve ser de no mínimo 4 mm. A largura do corte deve ser de 2 mm a mais que o diâmetro externo do eletroduto a ser inserido.

Os cortes executados para instalação da tubulação devem estar limpos (sem partículas soltas). O fechamento dos cortes deve ser executado com uma mistura de gesso para pega lenta e gesso-cola (1:1). Nas áreas molhadas deve ser utilizado gesso cola hidrofugado.

Nas paredes onde estão locados quadros de conectividade e elétrico, recomenda-se utilizar blocos de gesso de 100 mm de espessura. Se for necessário seccionar a alvenaria, recomenda-se que o acabamento seja feito com gesso-cola e tela rígida não metálica. Para executar o acabamento, colocar tela rígida não metálica na área do corte e recompor a seção com o gesso-cola.


Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br


 

 

Compartilhe!

Deixe uma resposta

Exibir botões
Esconder botões